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Presidenta Inocenta diz, “Todos os dias têm sido difíceis”, disse Dilma ao jornal, fala das torturas sofridas, mas esquece de dizer que foi baderneira e guerrilheira.

BRASIL - A ex-presidente Dilma Rousseff falou sobre a rotina após o impeachment que interrompeu seu segundo mandato em 31 de agosto ao jornal britânico The Guardian, em entrevista publicada neste sábado, “Todos os dias têm sido difíceis”, disse Dilma ao jornal. “Mas este não foi o pior ano da minha vida, de jeito nenhum.”


(Imagem) - A RÉ DILMA
Dilma na sede da Auditoria Militar no Rio de Janeiro, em novembro de 1970. Ao fundo, os oficiais que a interrogavam sobre sua participação na luta armada escondem o rosto com a mão (Foto: Reprodução que consta no processo da Justiça Militar)

Jornal britânico The GuardianA publicação lembra que Dilma, antes moradora de um palácio que participava de banquetes ao lado de Barack Obama, Vladimir Putin e Angela Merkel, agora mora no apartamento da mãe e faz suas próprias compras no supermercado.

Quando Dilma afirma que já teve períodos piores, ela se refere aos momentos em que foi torturada na ditadura, quando apanhou, teve de sofrer choques elétricos e outras formas de abusos na prisão para entregar os companheiros, explica o Guardian.
Um dos piores momentos de 2016 para a ex-presidente, segundo o jornal, foi a aprovação na Câmara da instauração do processo de impeachment, em abril. Quando perguntada sobre os sentimentos naquele dia, Dilma disse que “foi um caleidoscópio de lembranças”. “Senti tristeza, desespero e indignação.”

Dilma assistiu à votação ao lado de Lula. “Ele chorou e me abraçou. Ele disse ‘chore, Dilma, chore!’ Mas eu não choro quando estou sentida. Não é assim que eu sou”, afirmou a petista, dizendo que a característica vem dos momentos de tortura, quando tinha de resistir.

Com já afirmou em outras entrevistas, Dilma culpa parte do processo de impeachment ao machismo – “não foi 100% pelo fato de eu ser mulher, mas foi um componente” – e afirmou ter sido vítima de um golpe liderado pelos peemedebistas Michel Temer e Eduardo Cunha.

O jornalista pergunta se Dilma se arrepende de ter vencido a reeleição em 2014. “Nem por um momento. Se eu não tivesse vencido, as coisas estariam piores agora. Nós já teríamos um pacote de austeridade e privatizações como o do [presidente Mauricio] Macri, na Argentina.”

A trajetória de Dilma, da guerrilha ao poder

O livro "A vida quer é coragem", do jornalista Ricardo Amaral, revela novos episódios da história da presidente até o momento em que ela chegou ao Planalto

REDAÇÃO ÉPOCA

A fotografia abaixo é inédita. Ela foi tirada em novembro de 1970 e mostra a presidente Dilma Rousseff aos 22 anos. Dilma já passara por 22 dias de tortura e respondia na ocasião a um interrogatório na sede da Auditoria Militar do Rio de Janeiro. A imagem foi desencavada do processo contra Dilma na Justiça Militar graças ao jornalista Ricardo Batista Amaral e faz parte do livro que relata a trajetória da presidente desde sua juventude, em Belo Horizonte, quando ingressou em organizações da luta armada contra o regime militar, até sua eleição para o Palácio do Planalto, no ano passado. A vida quer é coragem (Editora Primeira Pessoa), título tirado de uma citação de Guimarães Rosa escolhida por Dilma para seu discurso de posse, chega às livrarias na primeira quinzena de dezembro. O livro é resultado em parte da posição privilegiada da qual Amaral assistiu à disputa presidencial de 2010. Como assessor da Casa Civil e da campanha de Dilma, ele testemunhou bastidores só agora relatados com a experiência de quem foi repórter político por 25 anos em Brasília, parte deles como jornalista e colunista de ÉPOCA. “Procurei fazer um relato objetivo dos fatos, como se espera de uma reportagem, sem abrir mão de explicitar meu ponto de vista”, diz Amaral. ÉPOCA publica, a seguir, alguns trechos do livro, em que os leitores podem saborear a excelência do texto de Amaral.

Fonte: http://revistaepoca.globo.com/tempo/noticia/2011/12/trajetoria-de-dilma-da-guerrilha-ao-poder.html

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